Vicente Marestoni Simões Gonzaga

Vicente Marestoni Simões Gonzaga nasceu em Juar/MT, em 31 de agosto de 2019.

No dia seguinte ao nascimento, foi diagnosticado com sopro, sendo encaminhado para Sinop/MT, para consulta e avaliação com o cardiopediatra. Sem diagnóstico fetal, com três dias de vida, veio a confirmação de uma cardiopatia congênita: transposição das grandes artérias, onde as principais artérias do coração nascem em lugares opostos, impossibilitando a oxigenação do sangue. Vicente só não morreu no parto, por ter também CIA e CIV (o sopro diagnosticado no início de tudo). Foi aí que começou sua luta.

No Mato Grosso, não há estrutura para cirurgia cardíaca e Vicente precisava, com urgência, de uma vaga em um hospital de referência, para que pudesse corrigir sua cardiopatia. Foi então que, após dois dias, conseguiu uma vaga em Goiânia, porém, também não havia estrutura para sua cirurgia, visto que foi descoberta uma anomalia de coronária (osteo único) e que precisaria de um aparelho chamado ECMO (que faz a função do coração) para o pós-operatório. Resultado: nova transferência. Após 18 dias de internação em Goiânia, Vicente foi novamente transferido, agora para São Paulo capital.

A grande preocupação é que ele era considerado um “bebê velho” por já estar com quase um mês de vida, visto que o problema deveria ter sido corrigido até os primeiros 15 dias de nascido.

Chegou à capital com insuficiência respiratória, necessitando ser intubado nas primeiras horas. Com quatro dias em São Paulo, passou por seu primeiro procedimento, um Raskind à beira leito, para dilatar sua CIA que estava fechando e comprometendo sua clínica.

No dia 2 de outubro de 2019, passou mal e acabou necessitando de ECMO antes da cirurgia de correção da sua cardiopatia. Acabou tendo uma parada cardíaca de 29 minutos no início do procedimento, o que acabou evoluindo em uma constante disfunção de sua função cardíaca (mesmo que, dias após, tenha corrigido totalmente sua TGA), impedindo que seu coração recuperasse totalmente a força, batendo apenas com 35% de sua capacidade.

Após quatro meses e meio internado e algumas intercorrências, teve alta e foi para casa, pela 1ª vez, precisando voltar para o hospital, com menos de um mês, devido a novo episódio de piora. Foi novamente intubado, realizou cateterismo e pôde voltar para casa após dois meses internado. Quando estava quase completando dois meses em casa, teve nova piora, seguida de mais uma internação!

Nessa nova internação quase foi vencido por uma um choque séptico e, mais uma vez, Deus mostrou-nos que estava no comando. Vicente precisou, mais uma vez, fazer uso de ECMO, depois, trocando o dispositivo.

Encontrava-se internado, há oito meses, na UTI do InCor e, durante seis meses, fazia uso de um coração artificial chamado Berlin Heart para manter-se mais estável, enquanto aguardava por um transplante cardíaco.

Até que aconteceu… Durante todo o tempo de espera, tivemos alguns doadores compatíveis, mas, sempre com alguma questão que não permitia o transplante, de fato. Até que, no dia 04/02/2021, conseguimos o nosso tão sonhado e esperado “sim”, conseguimos um doador e, dessa vez, Vicente receberia seu novo coração.

Vicente vive o milagre da vida todos os dias, a cada amanhecer e entardecer, com a permissão de Deus. É nossa fonte de fé e esperança de dias melhores. Ele nos faz enxergar a vida com uma nova perspectiva, ele nos faz ser melhores a cada dia!

Nesse um ano e cinco meses de existência, fizemos muitos amigos, anjos enviados pelo Senhor em nossa caminhada. Ficou quase três meses em casa, apenas. Fez seu primeiro aniversário no hospital, não conheceu seus primos que nasceram depois dele e, também, não conheceu ninguém da família. Não conheceu seu quarto que a mamãe montou com tanto amor e carinho.

Mas, com fé em Deus, o transplante nos trará a possibilidade de viver tudo isso e mais um pouco fora do hospital, com qualidade de vida e tendo a esperança de vê-lo crescer como uma criança normal.

Acho que nunca, em toda minha vida vou conseguir colocar em palavras tudo o que vivi e senti nesse dia 04/02/2021. Que dia, QUE DIA!!! Desde a notícia do potencial doador até a confirmação, uma certeza no meu coração de que sentia que aquele era o momento dele e que aquele coração era realmente para ele. É indescritível. Que sensação única, um misto muito intenso de alegria, felicidade, medo, só sei que é surreal. Fico relembrando e é como se estivesse vivendo de novo; é impossível não me emocionar, bem como olhar para o Vicente e não chorar de emoção, por tamanha gratidão, pelas bênçãos que o Senhor derrama sobre a vida dele.

Foram 220 dias de espera por um coração, na fila do transplante, foram 184 dias de uso de um coração artificial Berlin Heart para manter-se o mais estável possível, até que Deus permitiu-nos essa graça.

Iniciamos agora um novo processo, um novo caminho a percorrer com toda proteção divina. Saber que no peito do Vicente bate a continuidade da vida e não

somente um coração, bate também a possibilidade e a esperança de dias melhores, de uma vida fora do hospital, ir à escola, fazer amigos, conhecer a família, fazer muita bagunça e, com o transplante, isso está cada vez mais perto. É como se fosse possível avistar uma luz ao fim do túnel.

Senhor, obrigada por tanto! Obrigada! Obrigada! Obrigada! Peço que em sua infinita bondade abençoe a família do doador e a tenha em vossos braços, acalentando seus corações. E que, assim como essa família, outras possam doar os órgãos, mesmo sendo um momento muito difícil, mas possibilitando que a vida continue mesmo quando se pensa que ela chegou ao fim! Que possam ver que transplantes realmente acontecem e salvam vidas, assim como salvou a do Vicente.

Peço para que Deus abençoe a vida do Vicente, faça com que fique tudo bem, que todo esse período crítico passe logo e que logo possamos tê-lo sorrindo novamente, com uma condição de vida muito melhor.

HOJE EU SÓ QUERO TE AGRADECER, MEU DEUS, POR TUDO E TANTO, E PODER DIZER: SIMMMMM O CORAÇÃO VEIO!!!

Mamãe do Vicente – 25/02/2021