{"id":34372,"date":"2024-09-16T14:45:30","date_gmt":"2024-09-16T17:45:30","guid":{"rendered":"https:\/\/site.abto.org.br\/?post_type=depoimentos&p=34372"},"modified":"2024-09-16T14:49:48","modified_gmt":"2024-09-16T17:49:48","slug":"a-ligacao-mais-esperada-gabriel-navajas","status":"publish","type":"depoimentos","link":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/depoimentos\/a-ligacao-mais-esperada-gabriel-navajas\/","title":{"rendered":"A\u00a0liga\u00e7\u00e3o\u00a0mais esperada - Gabriel Navajas"},"content":{"rendered":"

Quando o telefone tocou na madrugada de 1\u00ba de maio de 2006, a sensa\u00e7\u00e3o era de estar em um sonho. Quando a minha m\u00e3e me acordou para avisar que a chamada vinha da central de transplantes, foi dif\u00edcil de acreditar.<\/p>\n\n\n\n

Dif\u00edcil imaginar que o meu rim havia chegado. Era como ganhar na loteria. Parecia cena de filme. Sair da longa e demorada fila do transplante, naquele momento, nem passava pela minha cabe\u00e7a. Comecei a contar os minutos para beber \u00e1gua novamente, sem culpa, depois que o telefone tocou naquela madrugada.<\/p>\n\n\n\n

Nos 17 meses anteriores \u00e0 liga\u00e7\u00e3o do Hospital do Rim, a minha vida mudara completamente. Sess\u00f5es de hemodi\u00e1lise tr\u00eas vezes por semana, alimenta\u00e7\u00e3o restrita, pouca ingest\u00e3o de l\u00edquido... dia a dia bem diferente do que eu, ent\u00e3o com 25 anos, tinha vivido at\u00e9 ali. E n\u00e3o me lamentava por isso. Percebi que aquilo significaria muito mais do que uma nova rotina e mais cuidados com a sa\u00fade. Era um impulso que eu precisava para adotar novos h\u00e1bitos mesmo durante o tratamento.<\/p>\n\n\n\n

Foram 10 meses de licen\u00e7a do trabalho assim que fui diagnosticado com a doen\u00e7a autoimune que afetou os meus rins. Um per\u00edodo que aproveitei para descansar e me adaptar ao cotidiano casa-cl\u00ednica, cl\u00ednica-casa. Tentei tirar o m\u00e1ximo de proveito de toda a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

Sempre procurei levar o tratamento da melhor maneira, sem preocupa\u00e7\u00f5es e lamenta\u00e7\u00f5es. Acredito que tentar manter cabe\u00e7a e esp\u00edrito leves naquele momento tenha me ajudado bastante.<\/p>\n\n\n\n

Eu fiz novos amigos, conheci coisas que mal sabia que existiam, matei a curiosidade dos velhos amigos sobre o que \u00e9 f\u00edstula, que deixa o bra\u00e7o vibrando e, mais do que isso, entrei em um novo mundo.<\/p>\n\n\n\n

Um mundo que, mais tarde, me possibilitaria viver e sentir na pele (ou no corpo) a solidariedade e o amor pelo pr\u00f3ximo, quando o telefone de casa tocou naquela madrugada.<\/p>\n\n\n\n

Apesar de ter come\u00e7ado a nadar com frequ\u00eancia ainda durante o per\u00edodo da hemodi\u00e1lise, motivado por um grande amigo, foi ap\u00f3s o transplante que realmente intensifiquei essa atividade f\u00edsica. Era como se aquele rim me desse mais for\u00e7as para entrar na piscina. A vontade e a disposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumentavam.<\/p>\n\n\n\n

Gra\u00e7as \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de uma fam\u00edlia que jamais conheci, continuo a fazer muitas das coisas que mais gostava e a me dedicar ainda mais em outras, como a nata\u00e7\u00e3o. Sem falar na sensa\u00e7\u00e3o inexplic\u00e1vel de poder cuidar de um rim novo, que se adaptou totalmente ao meu corpo.<\/p>\n\n\n\n

Toda vez que termino um treino desde o transplante, tornou-se quase involunt\u00e1rio o gesto de passar a m\u00e3o sobre o melhor presente que recebi na vida, como se fosse um  agradecimento por mais aquele momento. Um presente que s\u00f3 foi poss\u00edvel porque o meu doador falou \u00e0 fam\u00edlia sobre o desejo de espalhar a vida, de doar os seus \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n

Hoje, quase 18 anos e meio depois do transplante, agrade\u00e7o com muita emo\u00e7\u00e3o o que ele e seus familiares me proporcionaram, quando o telefone tocou naquela inesquec\u00edvel madrugada de 1\u00ba de maio.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

Quando o telefone tocou na madrugada de 1\u00ba de maio de 2006, a sensa\u00e7\u00e3o era […]<\/p>","protected":false},"author":3,"featured_media":34374,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","class_list":["post-34372","depoimentos","type-depoimentos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/depoimentos\/34372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/depoimentos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/depoimentos"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34372"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}