{"id":35660,"date":"2025-07-01T12:09:19","date_gmt":"2025-07-01T15:09:19","guid":{"rendered":"https:\/\/site.abto.org.br\/?post_type=depoimentos&p=35660"},"modified":"2025-07-01T12:09:26","modified_gmt":"2025-07-01T15:09:26","slug":"debora-reichert","status":"publish","type":"depoimentos","link":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/depoimentos\/debora-reichert\/","title":{"rendered":"D\u00e9bora Reichert"},"content":{"rendered":"
Meu nome \u00e9 D\u00e9bora Reichert, tenho 38 anos e sou natural de Pareci Novo, Rio
Grande do Sul.
A minha hist\u00f3ria com a sa\u00fade come\u00e7ou cedo, ainda na adolesc\u00eancia. Aos 15
anos, percebi uma leve perda auditiva sem causa aparente. Na \u00e9poca,
ningu\u00e9m imaginava que aquele pequeno sinal era o princ\u00edpio de algo maior.
Mas, foi somente em 2010, uma d\u00e9cada depois, que veio o diagn\u00f3stico:
S\u00edndrome de Alport, uma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica rara que, entre outros efeitos, afeta
a audi\u00e7\u00e3o e os rins.
Iniciava ali uma nova fase da minha vida. Com apenas 30% da fun\u00e7\u00e3o renal,
aos poucos fui perdendo energia, peso e, em muitos dias, a for\u00e7a para realizar
at\u00e9 mesmo as tarefas mais simples, como tomar banho ou me vestir.
Foi em novembro de 2014 que a esperan\u00e7a tomou forma concreta: recebi um
rim, doado pela minha prima \u00c2ngela. Um ato de amor que me devolveu mais
do que sa\u00fade, devolveu sonhos e muita vontade de viver.
Algum tempo depois, ouvi falar dos Jogos para Transplantados e algo
despertou em mim. Levei a ideia a um amigo educador f\u00edsico e juntos
analisamos as modalidades. Ele sugeriu o triathlon.
A princ\u00edpio, o desafio parecia grande demais \u2014 nadar, pedalar e correr era um
mundo totalmente novo para mim. Mas aceitei o desafio. Em pouco tempo,
comecei a treinar duas vezes por dia, mesmo sem qualquer hist\u00f3rico esportivo.
Com apenas 40 dias de prepara\u00e7\u00e3o, completei meus primeiros cinco
quil\u00f4metros de corrida. Aqueles 5km foram um marco na minha vida, pois at\u00e9
ent\u00e3o era algo inalcan\u00e7\u00e1vel.
O triathlon n\u00e3o foi apenas um esporte que abracei, mas a prova viva de que \u00e9
poss\u00edvel recome\u00e7ar e que, depois da dor, pode haver muitas conquistas.
Em 2019, tive a honra de representar o Brasil nos Jogos Mundiais para
Transplantados, realizados na Inglaterra, e voltei para casa com uma medalha
de bronze. Anos depois, na Austr\u00e1lia, subi ao lugar mais alto do p\u00f3dio para
receber a medalha de ouro \u2014 um momento de emo\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel, que
marcou, n\u00e3o s\u00f3 o esfor\u00e7o f\u00edsico, mas toda a trajet\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o que me
trouxe at\u00e9 ali.<\/p>\n\n\n\n
No Brasil, participei de in\u00fameras provas de triathlon, cada uma com sua
hist\u00f3ria, sua supera\u00e7\u00e3o. Mas uma delas teve um significado especial: um
revezamento em uma prova de Ironman, ao lado de duas amigas que, assim
como eu, s\u00e3o transplantadas \u2014 Patr\u00edcia Fonseca e Priscilla Prignolatti.
Estarmos ali, juntas, completando uma prova t\u00e3o desafiadora, foi um s\u00edmbolo
poderoso de for\u00e7a coletiva, de esperan\u00e7a, e da vida que pulsa forte depois do
transplante.
O transplante devolveu-me muito mais do que sa\u00fade. Ele me deu uma nova
vis\u00e3o de mundo, me apresentou pessoas incr\u00edveis, me levou a viver
experi\u00eancias que antes pareciam muito distantes. Hoje, j\u00e1 n\u00e3o pratico triathlon
como antes, mas o esporte e as viagens continuam fazendo parte da minha
vida. Eles s\u00e3o a lembran\u00e7a constante de que a supera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem linha de
chegada, ela segue, se transforma, se reinventa.
A doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o apenas salva vidas, mas transforma destinos. Eu
renasci com uma doa\u00e7\u00e3o e sigo vivendo com gratid\u00e3o, alegria e coragem todos
os dias.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"
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