{"id":37666,"date":"2026-05-12T13:03:59","date_gmt":"2026-05-12T16:03:59","guid":{"rendered":"https:\/\/site.abto.org.br\/?post_type=depoimentos&#038;p=37666"},"modified":"2026-05-12T13:04:01","modified_gmt":"2026-05-12T16:04:01","slug":"gilvania-rodrigues","status":"publish","type":"depoimentos","link":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/depoimentos\/gilvania-rodrigues\/","title":{"rendered":"GILV\u00c2NIA RODRIGUES"},"content":{"rendered":"<p>Ol\u00e1, eu sou Gilv\u00e2nia Rodrigues, tenho 35 anos e moro em Breu Branco, no Par\u00e1 \u2014 e, olha\u2026 se<br>resist\u00eancia fosse modalidade ol\u00edmpica, eu j\u00e1 teria umas boas medalhas no curr\u00edculo. Minha<br>trajet\u00f3ria \u00e9 longa, intensa e cheia de desafios. Mas, acima de tudo, \u00e9 uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o \u2014<br>f\u00edsica, emocional e mental. Uma hist\u00f3ria de movimento, de insistir em continuar, mesmo quando<br>parecia imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Tudo come\u00e7ou aos 22 anos, em 2013, com o diagn\u00f3stico de Linfoma de Hodgkin (C\u00e2ncer linf\u00e1tico).<br>De repente, minha vida pulsante e cheia de planos foi substitu\u00edda por corredores de hospitais,<br>sess\u00f5es de quimioterapia e radioterapia. Foi um choque t\u00e9rmico na alma. Mas, l\u00e1 no fundo, uma<br>voz persistente soprava: \"Siga\".<\/p>\n\n\n\n<p><br>Essa maratona n\u00e3o foi um sprint; foi uma prova de resist\u00eancia de 12 anos. Foram 14 bi\u00f3psias e<br>nove linhas de tratamento, incluindo dois transplantes de medula \u00f3ssea. Sim, eu sou uma<br>transplantada. Em 2015, encarei o primeiro transplante (aut\u00f3logo). Tr\u00eas meses depois, a not\u00edcia<br>dif\u00edcil: a doen\u00e7a ainda estava l\u00e1. A luta, ent\u00e3o, subiu de n\u00edvel.<br>Diante da necessidade de uma medica\u00e7\u00e3o de alto custo, experimentei a for\u00e7a da solidariedade<br>coletiva, provando que a vida se vence com humanidade, e n\u00e3o apenas com f\u00e1rmacos. Ap\u00f3s cinco<br>anos de imunoterapia, surgiu em 2021 a oportunidade de um segundo transplante (alog\u00eanico)<br>com um presente raro: a compatibilidade total do meu irm\u00e3o. Mesmo cientes dos riscos,<br>decidimos agir e realizar o procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Ao longo desse caminho, fiquei \"carequinha\" cinco vezes e a doen\u00e7a visitou lugares importantes:<br>coluna, pulm\u00e3o, f\u00edgado, ba\u00e7o, mediastino, regi\u00e3o il\u00edaca e pesco\u00e7o. Mas eu sobrevivi. E eu me movi.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esse \"me mover\", eu afirmo: o esporte foi meu aliado silencioso em todos os momentos.<br>Caminhadas leves, trotes lentos respeitando o meu tempo, partidas de basquete sempre que o<br>corpo permitia\u2026 cada movimento era mais do que exerc\u00edcio f\u00edsico: era resist\u00eancia, era terapia, era<br>minha forma de reafirmar que eu ainda podia ir al\u00e9m. O esporte ajudou-me a alinhar corpo e<br>mente ao tratamento, a manter a energia e a esperan\u00e7a, n\u00e3o permitindo que a doen\u00e7a parasse a<br>minha vida por completo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Hoje, celebro quatro anos e quatro meses desde o \u00faltimo transplante. N\u00e3o vejo esse tempo como<br>uma linha de chegada, mas como uma continuidade vibrante. Uma pessoa transplantada tem<br>muito a mostrar sobre supera\u00e7\u00e3o e sobre o que o corpo \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar atrav\u00e9s do esporte.<br>Ressalto, com a autoridade de quem viveu cada etapa, a import\u00e2ncia da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Ser<br>doador de medula \u00f3ssea \u00e9 o ato supremo de salvar vidas; \u00e9 permitir novas chances a quem s\u00f3<br>tinha o ontem. Meu irm\u00e3o foi o meu milagre e a doa\u00e7\u00e3o \u00e9 o milagre de muitos outros. O corpo<br>pode at\u00e9 enfrentar batalhas herc\u00faleas, mas, a capacidade de supera\u00e7\u00e3o da alma, combinada com<br>movimento e disciplina, \u00e9 simplesmente infinita.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1, eu sou Gilv\u00e2nia Rodrigues, tenho 35 anos e moro em Breu Branco, no Par\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18825,"featured_media":37667,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","class_list":["post-37666","depoimentos","type-depoimentos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/depoimentos\/37666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/depoimentos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/depoimentos"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18825"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37666"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}