{"id":5172,"date":"2020-06-16T08:34:00","date_gmt":"2020-06-16T11:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abto.suryamkt.com.br\/?post_type=depoimentos&p=5172"},"modified":"2023-03-15T14:56:33","modified_gmt":"2023-03-15T17:56:33","slug":"herois-e-heroinas","status":"publish","type":"depoimentos","link":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/depoimentos\/herois-e-heroinas\/","title":{"rendered":"Her\u00f3is e Hero\u00ednas"},"content":{"rendered":"
Meu marido \u00e9 transplantado renal ( maio\/2000, doador vivo, meu sogro com 76 anos de idade foi o doador ).<\/p>\n\n\n\n
Durante 02 anos e meio ele fez hemodi\u00e1lise, sofremos muito durante esse per\u00edodo, mas aprendemos muito tamb\u00e9m. Felizmente eu recebi apoio de amigos e por causa da minha curiosidade em saber mais sobre o que estava se passando com o Paulo ( meu marido ) e com nossa fam\u00edlia ( porque a fam\u00edlia fica doente junto ) conheci pessoas maravilhosas que trabalham com Capta\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Transplantes.<\/p>\n\n\n\n
O Paulo come\u00e7ou a fazer a hemodi\u00e1lise em out\/97, a mudan\u00e7a da Lei sobre Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos aconteceu bem pr\u00f3xima a este per\u00edodo. Eu lia tudo o que saia em jornais e revistas sobre o tema, o per\u00edodo foi muito pol\u00eamico. Em janeiro de 1998 fui a uma entrevista da ABTO ( Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os ) no Jornal \u00a8A Folha de S\u00e3o Paulo \u201c, l\u00e1 conheci duas pessoas que hoje s\u00e3o duas Amigas, Sueli e Marlene ( secret\u00e1rias da ABTO ), conheci tamb\u00e9m o Dr. Walter ( Presidente da ABTO ), para quem estava sedenta de informa\u00e7\u00f5es conhecer essas pessoas era tudo o que eu mais queria.<\/p>\n\n\n\n
At\u00e9 janeiro\/98 tudo o que eu sabia sobre Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os era o que eu lia, pesquisava na Internet, pesquisa em livros, era somente teoria. Infelizmente por mais perguntas que eu fizesse os m\u00e9dicos que estavam tratando do meu marido n\u00e3o falavam muito sobre o que realmente estava acontecendo e qual seria a solu\u00e7\u00e3o. E pelo que vejo ainda hoje isso acontece muito, o tempo para consulta \u00e9 pouco, o desconhecimento dos pr\u00f3prios m\u00e9dicos sobre o tema tamb\u00e9m \u00e9 grande.<\/p>\n\n\n\n
Eu j\u00e1 conhecia a ATX UNIFESP ( Associa\u00e7\u00e3o de Pacientes Transplantados da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo ), foi l\u00e1 que conheci a Carmen, Assistente Social, que me deu muito apoio e que sabe mais que muitos m\u00e9dicos, pois ela sabia e ainda sabe receber o paciente e seu familiar com aquilo que eles mais precisam: Um pouco de aten\u00e7\u00e3o, e respostas para as muitas perguntas.<\/p>\n\n\n\n
Iniciou-se ent\u00e3o meu trabalho como volunt\u00e1ria na ATX UNIFESP, atrav\u00e9s da ABTO e da ATX UNIFESP conhecia agora pessoas que at\u00e9 hoje eu considero Her\u00f3is e Heroinas do transplante no Brasil: As Equipes das OPOs ( Organiza\u00e7\u00e3o de Procura de \u00d3rg\u00e3os ) de SP, s\u00e3o essas pessoas que fazem o transplante realmente acontecer, s\u00e3o elas que correm atr\u00e1s das notifica\u00e7\u00f5es de morte encef\u00e1lica, falam com os familiares se aceitam ou n\u00e3o que os \u00f3rg\u00e3os de seus familiares sejam doados, explicam como acontece a doa\u00e7\u00e3o, certificam-se de que o paciente realmente esta em morte encef\u00e1lica, tratam com aten\u00e7\u00e3o carinho e respeito aqueles familiares que dizem sim e os que dizem n\u00e3o a doa\u00e7\u00e3o, se colocam a disposi\u00e7\u00e3o quase que em tempo integral para que a fam\u00edlia questione a qualquer hora a sua decis\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um momento f\u00e1cil para nenhum familiar, pois seu ente querido morreu . E estas equipes ainda correm atr\u00e1s dos pacientes em morte encef\u00e1lica nos hospitais, fazendo a busca ativa, pois infelizmente os profissionais de diversos hospitais ainda resistem muito em notificar a morte encef\u00e1lica.<\/p>\n\n\n\n
Falando assim a impress\u00e3o que se tem lendo o que escrevo \u00e9 que esses Her\u00f3is e Heroinas s\u00e3o muitos, triste ilus\u00e3o, s\u00e3o poucos, pouqu\u00edssimos, para um Estado do tamanho de S\u00e3o Paulo, d\u00e1 para contar nos dedos quantos s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Em S\u00e3o Paulo s\u00e3o 10 equipes, OPO Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, OPO Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de S\u00e3o Paulo, OPO Dante Pazzanese, OPO Escola Paulista de Medicina, OPO Campinas, OPO S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, OPO Botucat\u00fa, OPO Sorocaba, OPO Ribeir\u00e3o Preto e OPO Mar\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n
Cada equipe tem em m\u00e9dia 05 ou 06 Her\u00f3is e Heroinas. Acredito que sem esses Her\u00f3is e Heroinas das OPOs os transplantes n\u00e3o aconteceriam como acontece hoje no Brasil, pois \u00e9 deles tamb\u00e9m que parte a maioria das iniciativas de campanhas para esclarecimento da popula\u00e7\u00e3o sobre o tema Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos. S\u00e3o eles que est\u00e3o ali frente a frente com a popula\u00e7\u00e3o, falando, explicando, repetindo, repetindo, repetindo, e sempre com muito carinho, paci\u00eancia e respeito com a opini\u00e3o de cada um. Vale salientar que esses Her\u00f3is e Hero\u00ednas s\u00e3o em sua grande maioria Enfermeiras e Enfermeiros ( pouco valorizados ), tem M\u00e9dicos e M\u00e9dicas tamb\u00e9m, mas s\u00e3o M\u00e9dicos e M\u00e9dicas Especiais, s\u00e3o diferentes, talvez porque aprendem que o amor e o respeito s\u00e3o a palavra chave para curar qualquer doen\u00e7a, at\u00e9 aquela mais comum, onde apenas um olhar de carinho e um sorriso bastam, pois quando o olhar ou o sorriso est\u00e3o repleto de amor, o paciente fica curado, os familiares em desespero se sentem mais protegidos e tem certeza que tudo o que podia ter sido feito pelo seu ente querido, que morreu, foi realmente feito.<\/p>\n\n\n\n
Zita Catharina Navas Kaneko
18\/02\/2002<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"
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