{"id":2264,"date":"2020-11-15T08:10:00","date_gmt":"2020-11-15T11:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/site.abto.org.br\/?p=2264"},"modified":"2024-03-07T14:41:26","modified_gmt":"2024-03-07T17:41:26","slug":"hospital-na-bahia-faz-campanha-para-obter-recursos-para-transplante-de-medula-ossea-em-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/hospital-na-bahia-faz-campanha-para-obter-recursos-para-transplante-de-medula-ossea-em-criancas\/","title":{"rendered":"Hospital na Bahia faz campanha para obter recursos para transplante de medula \u00f3ssea em crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><em>A primeira paciente do novo servi\u00e7o que n\u00e3o existia para crian\u00e7as abaixo de 14 anos recebeu alta, no \u00faltimo 27 de outubro, com bom estado de sa\u00fade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um ano, a fam\u00edlia da pequena Isabela Cerqueira deparou-se, ap\u00f3s a menina sentir fortes dores no bra\u00e7o, com um diagn\u00f3stico que assustou os pais: neuroblastoma, um tipo de c\u00e2ncer raro que estava no n\u00edvel 4, o mais avan\u00e7ado. Diante do quadro, ela, que tem apenas quatro anos, precisava de um transplante de medula \u00f3ssea. O problema era que, abaixo dos 14 anos, esse tipo de procedimento n\u00e3o era feito na rede p\u00fablica do estado da Bahia. No entanto, essa realidade foi modificada quando o Hospital Martag\u00e3o Gesteira, refer\u00eancia em pediatria, passou a realizar o procedimento para crian\u00e7as e jovens de 0 a 18 anos pelo SUS. Isabela foi a primeira paciente do novo servi\u00e7o que passa a ser ofertado para a popula\u00e7\u00e3o baiana.<\/p>\n\n\n\n<p>No estado, o transplante de medula \u00f3ssea (TMO) j\u00e1 era realizado por outras unidades de sa\u00fade, mas, somente em casos a partir dos 14 anos. Antes, para realizar o procedimento, era preciso deslocar-se para outros estados, o que gerava diversos problemas para as fam\u00edlias, como gastos extras e distanciamento dos familiares. No entanto, a pequena Isabela, que mora em Serrinha com os pais e duas irm\u00e3s, n\u00e3o precisou mudar de estado. Ela recebeu alta, no \u00faltimo 27 de outubro, e seu estado de sa\u00fade \u00e9 considerado bom.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 h\u00e1 10 pacientes do hospital na fila de espera, com quadro cl\u00ednico de indica\u00e7\u00e3o para o procedimento de TMO. O custo de cada paciente \u00e9 de R$ 123 mil, mas o Hospital trabalha com um d\u00e9ficit de R$ 100 mil. O SUS repassa R$ 23 mil. \u201cEsse \u00e9 o nosso grande desafio. Se houvesse viabilidade econ\u00f4mica, n\u00e3o haveria necessidade de todo esse esfor\u00e7o de uma institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica. O pr\u00f3prio mercado de sa\u00fade j\u00e1 estaria fazendo. \u00c9 justamente onde h\u00e1 a inviabilidade econ\u00f4mico-financeira que faz com que esse servi\u00e7o deixe de ser realizado e que corrobora para a mortalidade infantil\u201d, frisa o presidente da Liga \u00c1lvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil (entidade mantenedora do Martag\u00e3o), Carlos Emanuel Melo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tentar superar o d\u00e9ficit, o Hospital trabalha em diversas frentes: redu\u00e7\u00e3o dos custos com a repeti\u00e7\u00e3o do procedimento e ganho de efici\u00eancia operacional; sensibiliza\u00e7\u00e3o das autoridades que fazem gest\u00e3o do SUS, no sentido de melhorar a receita; e a mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas, empresas e organiza\u00e7\u00f5es para se somarem \u00e0 causa da sa\u00fade da crian\u00e7a e, por meio de doa\u00e7\u00f5es, ajudarem o Hospital a manter seus prop\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de viabilizar inicialmente o tratamento, o Hospital contou com recursos obtidos por meio da campanha McDia Feliz do Instituto Ronald McDonald, quando a sociedade ajuda por meio da compra de sandu\u00edches e a renda \u00e9 toda revertida para projetos de institui\u00e7\u00f5es que trabalham com crian\u00e7as com c\u00e2ncer como o Martag\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma campanha para angariar recursos tamb\u00e9m est\u00e1 sendo realizada. Doa\u00e7\u00f5es podem ser feitas por meio do site da institui\u00e7\u00e3o:&nbsp;<a href=\"http:\/\/martagaogesteira.org.br\/doe-agora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/martagaogesteira.org.br\/doe-agora\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEste transplante \u00e9 um marco hist\u00f3rico por v\u00e1rios motivos. O primeiro deles \u00e9 porque vai no cerne da miss\u00e3o do Martag\u00e3o Gesteira de fazer justi\u00e7a social do ponto de vista humanit\u00e1rio, na medida em que o Hospital consegue trazer este procedimento in\u00e9dito, para uma popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, exclu\u00edda do servi\u00e7o de sa\u00fade privado e que depende exclusivamente do SUS. Como em toda a sua hist\u00f3ria nos \u00faltimos 55 anos, o Martag\u00e3o tem trabalhado sempre em prol daquelas crian\u00e7as que mais precisam\u201d, ressalta o presidente da Liga \u00c1lvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil (entidade mantenedora do Martag\u00e3o), Carlos Emanuel Melo. Cerca de 50% das crian\u00e7as atendidas no Martag\u00e3o s\u00e3o de fam\u00edlias com renda de um sal\u00e1rio m\u00ednimo ou menos.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai da primeira paciente, o lavrador Rubem Cerqueira, conta que foi no Martag\u00e3o que descobriram o tumor. \u201cFoi um baque para n\u00f3s, mas aqui encontramos todo o suporte\u201d, diz. Ap\u00f3s o transplante ser realizado, a fam\u00edlia fez uma festa no munic\u00edpio de Serrinha. \u201cEla j\u00e1 est\u00e1 com diagn\u00f3stico que o tumor sumiu. A gente espera que, de agora em diante, ela melhore cada dia mais. Nossa fam\u00edlia est\u00e1 em festa, fizeram uma comemora\u00e7\u00e3o grande, com muita alegria\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de agora, a paciente continuar\u00e1 a ser acompanhada pelo Hospital, com restri\u00e7\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o e contato social nos pr\u00f3ximos tr\u00eas meses, por causa da imunidade. A oncopediatra do Martag\u00e3o, Nat\u00e1lia Borges, especialista em Transplante de Medula \u00d3ssea, conta que o processo, iniciado em agosto deste ano, ocorreu sem problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso espec\u00edfico de Isabela, ela estava com neuroblastoma no grau mais avan\u00e7ado, com infiltra\u00e7\u00e3o medular. A chance da doen\u00e7a recidivar somente com a quimioterapia era muito alta. O transplante faz com que essa chance de recidiva seja reduzida\u201d, detalha a oncopediatra, que foi residente m\u00e9dica do pr\u00f3prio Martag\u00e3o e passou a trabalhar no quadro de colaboradores da institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, a Bahia figurava entre os \u00faltimos estados do Brasil em n\u00famero de doa\u00e7\u00f5es e transplantes, al\u00e9m de altas taxas de negativa familiar. \u201cEstamos mudando essa realidade e isto s\u00f3 foi poss\u00edvel devido ao apoio incondicional do governador Rui Costa, que disponibilizou recursos do tesouro estadual para reduzir as dificuldades na realiza\u00e7\u00e3o de transplantes, incluindo est\u00edmulo financeiro \u00e0s equipes m\u00e9dicas e hospitais, at\u00e9 o investimento em equipamentos, exames e medicamentos de alto custo na capital e interior\u201d, destaca o secret\u00e1rio da Sa\u00fade do Estado, F\u00e1bio Vilas-Boas, ao parabenizar o Martag\u00e3o pelo primeiro transplante de medula \u00f3ssea. Durante a coletiva, ele anunciou que \u201co Governo do Estado vai fazer o aporte de recursos necess\u00e1rio\u201d para a continuidade do programa de TMO.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsta \u00e9 uma ocasi\u00e3o extremamente especial porque representa um marco para a sa\u00fade p\u00fablica da nossa capital baiana, um ganho enorme para a popula\u00e7\u00e3o que depende do SUS, especialmente para nossas crian\u00e7as. Mais uma vez o Martag\u00e3o, refer\u00eancia no atendimento pedi\u00e1trico, reafirma seu compromisso com a sociedade baiana\u201d, frisa o secret\u00e1rio municipal de Sa\u00fade, Leo Prates.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrutura&nbsp;<\/strong>- Para conseguir realizar o novo procedimento, houve, tamb\u00e9m, uma prepara\u00e7\u00e3o estrutural do Hospital, ao longo dos \u00faltimos anos. Foram constru\u00eddos dois leitos de transplante, com inclus\u00e3o de equipamentos de alta tecnologia, como os filtros para &nbsp;micropart\u00edculas de ar e outro para a \u00e1gua. Ambos com o objetivo de reduzir a contamina\u00e7\u00e3o f\u00fangica. \u00c9 que, com o tratamento, a paciente fica, por um per\u00edodo, com baixa imunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois tipos de transplante de medula \u00f3ssea: o aut\u00f3logo e o alog\u00eanico. O Martag\u00e3o passou, inicialmente, a fazer o primeiro tipo. De forma resumida, ele consiste no procedimento no qual a doadora \u00e9 a pr\u00f3pria paciente. Ela \u00e9 submetida a uma quimioterapia para limpar a medula. Com as c\u00e9lulas sadias, \u00e9 feito um congelamento das mesmas, por meio da criopreserva\u00e7\u00e3o. Em seguida, a paciente recebe novamente quimioterapia, mas em altas doses. Por fim, as c\u00e9lulas sadias congeladas s\u00e3o devolvidas ao organismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expans\u00e3o<\/strong>&nbsp;- O TMO soma-se a outro procedimento pioneiro que o Martag\u00e3o passar\u00e1 a oferecer: o transplante de f\u00edgado, que \u00e9 a \u00fanica alternativa para crian\u00e7as com algumas doen\u00e7as hep\u00e1ticas. Na Bahia, no entanto, esse tipo de transplante ainda n\u00e3o \u00e9 feito em crian\u00e7as. Para realizar esse tipo de transplante em crian\u00e7as de 0 a 14 anos, o Martag\u00e3o iniciou, em 2019, uma parceria de aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico com o Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas. Profissionais da institui\u00e7\u00e3o foram para S\u00e3o Paulo para serem treinados no S\u00edrio e, durante a parceria, trabalhar\u00e3o em conjunto para realizar os primeiros transplantes de f\u00edgado na Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>Anderson Sotero<br>Assessor de Imprensa Hospital Martag\u00e3o Gesteira<br>Liga \u00c1lvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil<br>Novembro\/2020<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira paciente do novo servi\u00e7o que n\u00e3o existia para crian\u00e7as abaixo de 14 anos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":522,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[125],"tags":[],"tipo_de_publico":[199],"class_list":["post-2264","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tipo_de_publico-publico"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2264"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2264\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2264"},{"taxonomy":"tipo_de_publico","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.abto.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tipo_de_publico?post=2264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}