Silvana Baccin - Atleta transplantada

Meu nome é Silvana Baccin e minha trajetória é a prova viva de que o esporte pode transformar vidas.

Para mim, começou quando eu tinha apenas nove anos e descobri o voleibol na escola. Ali, encontrei disciplina, determinação, amizade e resiliência. Logo ajudamos a construir o time da minha cidade, Bento Gonçalves, e nos tornamos campeãs estaduais. Depois, na Sogipa, em Porto Alegre, vivi anos intensos, competindo nas categorias infanto, juvenil e adulto, acumulando títulos e experiências que moldaram quem eu sou. Tive a honra de integrar a Seleção Gaúcha duas vezes e, mais tarde, representar Santa Catarina, onde também conquistei vitórias importantes e construí histórias inesquecíveis.

Mas, a vida, que tantas alegrias me deu no esporte, também me apresentou-me um grande desafio. Aos 48 anos, meus rins estavam perdendo função rapidamente. De repente, manter a vida passou a ser minha prioridade. Foi quando o impossível aconteceu: nos testes de compatibilidade, meu marido surgiu como meu doador. Em março de 2014, com o apoio da Fundação Pró-Rim e do Hospital São José, em Joinville, realizamos o transplante que me devolveu a vida e a saúde.

Três meses depois da cirurgia, decidi que queria celebrar essa nova chance aprendendo algo totalmente novo e foi assim que me apaixonei pelo tênis. Do meu primeiro contato com a raquete, ainda em 2014, até as conquistas mais recentes, o tênis tornou-se uma parte essencial da minha identidade. Conquistei muitos troféus, fui campeã nos 1º, 2º e 3º Jogos Brasileiros para Transplantados, representei o Brasil no World Transplant Games, em 2023, e tive a emoção indescritível de me tornar a primeira mulher brasileira medalhista olímpica no tênis de campo de transplantados, em 2025, nesses jogos mundiais reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional como competição olímpica.

Mas, minhas maiores conquistas vão além das quadras. Minha história transformou-se em propósito. Desde 2019, atuo como colaboradora em iniciativas que incentivam a doação de órgãos e o esporte.

Meu desejo é que o milagre que recebi também possa alcançar cada brasileiro e brasileira que espera por uma segunda chance de viver por meio do transplante.

Hoje eu sei que sonhos podem, sim, ser reconstruídos e conquistados.

A vida não espera e eu escolhi enlaçá-la com força, como na frase do Veríssimo que tanto me inspira:

“Não se pode ficar esperando que a vida nos tire para dançar,
nós é que temos que enlaçá-la e sair rodopiando.”

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