GILVÂNIA RODRIGUES

Olá, eu sou Gilvânia Rodrigues, tenho 35 anos e moro em Breu Branco, no Pará — e, olha… se
resistência fosse modalidade olímpica, eu já teria umas boas medalhas no currículo. Minha
trajetória é longa, intensa e cheia de desafios. Mas, acima de tudo, é uma história de superação —
física, emocional e mental. Uma história de movimento, de insistir em continuar, mesmo quando
parecia impossível.


Tudo começou aos 22 anos, em 2013, com o diagnóstico de Linfoma de Hodgkin (Câncer linfático).
De repente, minha vida pulsante e cheia de planos foi substituída por corredores de hospitais,
sessões de quimioterapia e radioterapia. Foi um choque térmico na alma. Mas, lá no fundo, uma
voz persistente soprava: "Siga".


Essa maratona não foi um sprint; foi uma prova de resistência de 12 anos. Foram 14 biópsias e
nove linhas de tratamento, incluindo dois transplantes de medula óssea. Sim, eu sou uma
transplantada. Em 2015, encarei o primeiro transplante (autólogo). Três meses depois, a notícia
difícil: a doença ainda estava lá. A luta, então, subiu de nível.
Diante da necessidade de uma medicação de alto custo, experimentei a força da solidariedade
coletiva, provando que a vida se vence com humanidade, e não apenas com fármacos. Após cinco
anos de imunoterapia, surgiu em 2021 a oportunidade de um segundo transplante (alogênico)
com um presente raro: a compatibilidade total do meu irmão. Mesmo cientes dos riscos,
decidimos agir e realizar o procedimento.


Ao longo desse caminho, fiquei "carequinha" cinco vezes e a doença visitou lugares importantes:
coluna, pulmão, fígado, baço, mediastino, região ilíaca e pescoço. Mas eu sobrevivi. E eu me movi.

Sobre esse "me mover", eu afirmo: o esporte foi meu aliado silencioso em todos os momentos.
Caminhadas leves, trotes lentos respeitando o meu tempo, partidas de basquete sempre que o
corpo permitia… cada movimento era mais do que exercício físico: era resistência, era terapia, era
minha forma de reafirmar que eu ainda podia ir além. O esporte ajudou-me a alinhar corpo e
mente ao tratamento, a manter a energia e a esperança, não permitindo que a doença parasse a
minha vida por completo.


Hoje, celebro quatro anos e quatro meses desde o último transplante. Não vejo esse tempo como
uma linha de chegada, mas como uma continuidade vibrante. Uma pessoa transplantada tem
muito a mostrar sobre superação e sobre o que o corpo é capaz de alcançar através do esporte.
Ressalto, com a autoridade de quem viveu cada etapa, a importância da doação de órgãos. Ser
doador de medula óssea é o ato supremo de salvar vidas; é permitir novas chances a quem só
tinha o ontem. Meu irmão foi o meu milagre e a doação é o milagre de muitos outros. O corpo
pode até enfrentar batalhas hercúleas, mas, a capacidade de superação da alma, combinada com
movimento e disciplina, é simplesmente infinita.

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